George Ohsawa nasceu em Kyoto, Japão, em 18 de outubro de 1883. Com a idade de 9 anos, viu a mãe e o pai fugirem-lhe: a primeira, a doença a levou; o segundo, levou-o a concubina. Aos seus cuidados ficaram a irmã e o irmão mais novo.
Com 15 anos, desenvolveu tuberculose nos pulmões e intestinos, doença fatal numa época sem antibióticos. Desenganado pelos médicos, socorreu-se de um livro do tradicionalista Sagen Ishizuki, adotando-lhe a dieta. Curado, aperfeiçoou e divulgou tais ensinamentos até a eclosão da II Grande Guerra Mundial.
Deflagrado o combate, Ohsawa não vislumbrou saída senão na política, publicando vários livros contra o militarismo japonês. Tal atitude valeu-lhe a detenção pelo governo.
Em julho de 1944, Ohsawa previu a derrota do Japão. A cada discípulo que se debatia na linha de frente enviou telegrama com a seguinte mensagem: “Coma criteriosamente e seja o derradeiro vencedor.”
Quando meses depois tentou chegar a Moscou através da Manchúria, seu objetivo era pedir à União Soviética que mediasse o conflito. Descoberto pela polícia militar, mudou o plano e retornou ao Japão.
Em 25 de janeiro de 1945, Ohsawa foi finalmente capturado em seu esconderijo e encarcerado. Na prisão enfrentou temperaturas de 20ºC abaixo de zero. Após três meses sob condições tais, o balanço não era dos melhores: perdera 80% da visão e quase morrera em virtude do acelerado enfraquecimento.Em fins de junho, entretanto, foi surpreendentemente posto em liberdade com a alegação de que era inofensivo ao governo.
Em menos de um mês, contrariando todas as expectativas dos militares, tentou um golpe de estado com a colaboração dos generais Iimori e Fujimori. Foi porém descoberto de novo numa reunião secreta e levado para cumprir pena em Kofu, sendo transferido mais tarde para uma prisão em Nagasaki. Kofu foi bombardeada totalmente após sua transferência.
Em agosto o Japão se rendeu e em setembro, por ordem do General MacArthur, Ohsawa foi libertado, exatamente antes da execução de sua sentença de morte. Endereçada ao militar americano, escreveu Ohsawa uma carta recomendando a extinção da polícia secreta japonesa. A recomendação foi aceita e a organização extinta.
Após a guerra, em vez de dedicar-se à cura de doentes, devotou sua vida à formação dos jovens japoneses. Cerca de vinte dentre os milhares que educou partiram para a Europa, América do Norte, Índia e América Latina. Mais tarde, esses discípulos fundaram centros macrobióticos em vários países.
Ele próprio deixou o Japão para ensinar Macrobiótica pelo mundo fora. Após viagens à Índia, África, Bélgica, Suíça, Alemanha, Suécia, Itália, Inglaterra e França, desembarcou nos Estados Unidos em dezembro de 1959.
Em 1960, Ohsawa publicou o livro “Macrobiótica Zen”, que vendeu quase 250 mil cópias e ainda hoje é bastante procurado.
As idéias deOhsawa anteciparam a tendência hoje em voga da vida natural e da agricultura orgânica, pois o mestre japonês já alertava contra os produtos químicos quer encontrados nos alimentos, quer empregados nos cultivares.
Blog alternativo, bom pra ler, se inteirar, se integrar e se comunicar. Aberto, receptivo.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
A Batalha entre Carnívoros e Vegetarianos
É conhecida a história da equipe japonesa de beisebol que conseguiu pular do último para o primeiro lugar aderindo ao estilo macrobiótico de alimentação.
Em outubro de 1989, quando assumiu como técnico dos Seibu Lions, Tatsuro Hirooka traçou para seus jogadores, que haviam terminado a última temporada em último lugar, uma dieta bem diferente da que eles seguiam. Hirooka reduziu a quantidade de carne e baniu completamente do cardápio o arroz e o açúcar brancos. Determinou, por outro lado, que o time comesse arroz integral, tofu e frutos do mar. Três meses depois, aprofundou ainda mais as mudanças, prescrevendo uma dieta estritamente vegetariana .
Hirooka argumentou a seus atletas que a carne e outros alimentos de origem animal aumentam muito os riscos de lesões. Alimentos vegetais, ao revés, protegem o corpo contra entorses e luxações e ainda proporcionam uma mente clara.
Na temporada de 1982, os Lions, coitados, tiveram que lidar com intermináveis zombarias. O técnico dos Nippon Ham Fighters – equipe patrocinada por um grande pecuarista – alcunhou-os de “o time das vaquinhas”, justificando-se com um ácido comentário: “ Eles só comem capim!” Mas os Lions derrotaram os Ham Fighters pela Liga do Pacífico numa partida que entrou para a história como “A Batalha entre Carnívoros e Vegetarianos”.
Não muito depois, os Lions venceram também os Chunichi Dragons pelo Campeonato Japonês. Em 1983, repetiram a dose: terminaram como vencedores tanto da Liga do Pacífico quanto do Campeonato Japonês.
Não é algo em que pensar?
Em outubro de 1989, quando assumiu como técnico dos Seibu Lions, Tatsuro Hirooka traçou para seus jogadores, que haviam terminado a última temporada em último lugar, uma dieta bem diferente da que eles seguiam. Hirooka reduziu a quantidade de carne e baniu completamente do cardápio o arroz e o açúcar brancos. Determinou, por outro lado, que o time comesse arroz integral, tofu e frutos do mar. Três meses depois, aprofundou ainda mais as mudanças, prescrevendo uma dieta estritamente vegetariana .
Hirooka argumentou a seus atletas que a carne e outros alimentos de origem animal aumentam muito os riscos de lesões. Alimentos vegetais, ao revés, protegem o corpo contra entorses e luxações e ainda proporcionam uma mente clara.
Na temporada de 1982, os Lions, coitados, tiveram que lidar com intermináveis zombarias. O técnico dos Nippon Ham Fighters – equipe patrocinada por um grande pecuarista – alcunhou-os de “o time das vaquinhas”, justificando-se com um ácido comentário: “ Eles só comem capim!” Mas os Lions derrotaram os Ham Fighters pela Liga do Pacífico numa partida que entrou para a história como “A Batalha entre Carnívoros e Vegetarianos”.
Não muito depois, os Lions venceram também os Chunichi Dragons pelo Campeonato Japonês. Em 1983, repetiram a dose: terminaram como vencedores tanto da Liga do Pacífico quanto do Campeonato Japonês.
Não é algo em que pensar?
A “Experiência Macrobiótica” Da Dinamarca
Vítima de um ferrenho bloqueio durante a Primeira Guerra Mundial, a Dinamarca se viu seriamente ameaçada pela escassez de alimentos e pela desnutrição. Mikkel Hinhede, superintendente do Instituto de Pesquisa Alimentar, foi então nomeado conselheiro do governo dinamarquês. Hinhede não só resolveu o problema como reverteu completamente a situação.
Nos anos anteriores à guerra, a Dinamarca importara grãos a preço de banana. Os fazendeiros dinamarqueses criavam porcos, vacas e galinhas e enviavam ovos e manteiga para a Inglaterra. Os próprios dinamarqueses eram grandes comedores de carne e ovos. Depois do bloqueio, entretanto, o suprimento de grãos foi cortado: e havia mais de 5 milhões de animais domésticos e 3,5 milhões de pessoas para alimentar!
Imediatamente, Hinhade ordenou que quatro quintos dos porcos e um quinto das vacas fossem sacrificados. Desse modo, mais grãos estariam disponíveis para o consumo humano. Além disso, o consumo de carne de porco e outras carnes foi reduzido ou eliminado completamente. Hinhede também impôs limites à produção de bebidas alcoólicas, pois não tinha dúvidas de que os grãos nela utilizados teriam melhor serventia na feitura de um pão tradicional conhecido por “Kleiebrot”. Os dinamarqueses começaram a ingerir mais cereais, vegetais, verduras, feijões e frutas e menos leite e manteiga.
De outubro de 1917 a outubro de 1918, o período mais difícil da guerra, a Dinamarca tornou-se a nação mais saudável da Europa. Sob uma dieta similar à Macrobiótica, a incidência de câncer caiu aproximadamente 60% e a taxa de mortalidade diminuiu mais de 40%. Terminado o conflito, os dinamarqueses retornaram à sua dieta original e então os índices de mortalidade rapidamente voltaram aos do pré-guerra.
Fonte: Mikkel Hinhede, “The Effects of Food Restriction During War on Mortality in Copenhagen”.
Nos anos anteriores à guerra, a Dinamarca importara grãos a preço de banana. Os fazendeiros dinamarqueses criavam porcos, vacas e galinhas e enviavam ovos e manteiga para a Inglaterra. Os próprios dinamarqueses eram grandes comedores de carne e ovos. Depois do bloqueio, entretanto, o suprimento de grãos foi cortado: e havia mais de 5 milhões de animais domésticos e 3,5 milhões de pessoas para alimentar!
Imediatamente, Hinhade ordenou que quatro quintos dos porcos e um quinto das vacas fossem sacrificados. Desse modo, mais grãos estariam disponíveis para o consumo humano. Além disso, o consumo de carne de porco e outras carnes foi reduzido ou eliminado completamente. Hinhede também impôs limites à produção de bebidas alcoólicas, pois não tinha dúvidas de que os grãos nela utilizados teriam melhor serventia na feitura de um pão tradicional conhecido por “Kleiebrot”. Os dinamarqueses começaram a ingerir mais cereais, vegetais, verduras, feijões e frutas e menos leite e manteiga.
De outubro de 1917 a outubro de 1918, o período mais difícil da guerra, a Dinamarca tornou-se a nação mais saudável da Europa. Sob uma dieta similar à Macrobiótica, a incidência de câncer caiu aproximadamente 60% e a taxa de mortalidade diminuiu mais de 40%. Terminado o conflito, os dinamarqueses retornaram à sua dieta original e então os índices de mortalidade rapidamente voltaram aos do pré-guerra.
Fonte: Mikkel Hinhede, “The Effects of Food Restriction During War on Mortality in Copenhagen”.
Assinar:
Comentários (Atom)